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quinta-feira, 27 de março de 2014

Capítulo VIII: A impotência para mudar as coisas

Cada passo me conduzindo a recepção daquele escritório no qual minha esposa era secretária, fazia com que uma dor imensa crescesse dentro do meu peito. Minha esposa era secretária de uma clínica, mas precisamente de uma médica, ela ficava em uma sala ampla cuidando da recepção dos clientes VIPs que tinham todo o tipo de caprichos. Pedi educadamente sem deixar transparecer meu desespero para falar com minha esposa. Alguns minutos depois ela veio em minha direção no hall de entrada, surpresa com a minha presença e com seu lindo sorriso característico. Chegou a hora…


-- Meu amor o que faz aqui? Saiu do trabalho mais cedo? - Sua voz me enfraqueceu-
-- Meu amor preciso falar com você e gostaria que você viesse comigo, poderia falar com sua chefe que irá sair mais cedo?- Disse com a voz embargada de emoção-


-- Está bem Paulo, mais me fala logo que estou curiosa! O que você está aprontando? Outra surpresa romântica?


-- Daria tudo para que fosse assim…- foi a única coisa que consegui falar-



Alguns minutos depois ela saiu e me encontrou na companhia de Sr. Amorim e Jorge perto do estacionamento. Caminhei em sua direção e pegando em sua mão nos afastei para dar a notícia que mudaria tudo!


-- Amor não sei como dizer isso(lágrimas rolaram pelo meu rosto), aconteceu algo terrível…- Minha voz sumiu-


-- O que houve Paulo? Está me assustando!

Respirei profundamente como nunca e secando as lágrimas eu a abracei forte como nunca fiz antes e lhe falei suavemente:

-- Maria nosso filho se foi, tiraram ele de nós...sinto muito amor, nosso bebê se foi…- As lágrimas recomeçaram, comecei a tremer e tomei coragem de olhar minha esposa nos olhos.-


-- Paulo, sequestraram nosso filho? Deus do céu! Onde foi isso? Vamos a escola, a policia… - Maria tremia, chorava, e falava rapidamente-


Segurei firme seus braços, olhando no fundo dos seus olhos e senti uma pontada forte em meu peito, arfei por um momento, mas proferi as palavras mais cruéis que se pode dizer a uma mãe:
-- Maria, nosso filho está morto! Nosso filho se foi…

Ela ficou alguns segundos parada, em silêncio, tentando processar aquelas informações, como que pensando: “ O que esse louco está dizendo?”


A puxei pela mão para abraça-la, mas ela se desvencilhou e gritou:

-- O que está dizendo? Meu filho está bem, ele está na escola onde o deixei, vou buscá-lo agora e você vai ver que ele está vivo!- Ela estava histérica e me olhava implorando para que eu concordasse com ela, que desmentisse o que eu acabara de dizer-


Maria chorava tanto e gritava, ela olhava para mim e sacudindo a cabeça em negativa, mas compreendia que eu era o tipo de homem que jamais brincaria com algo desse tipo. Ela sabia que era verdade e seu coração estava se despedaçando e eu… morri pela quinta vez.



Meus anjos da guarda, por assim dizer, me ajudaram a levar minha esposa para a clínica, onde a médica veio em socorro, tentando acalma-la enquanto era posta a par da terrível situação.

Minha esposa foi sedada e a médica ficou ao lado dela enquanto eu voltava ao local do crime para tomar as medidas legais. Liguei para a minha mãe e pedi que viesse ao meu socorro. Em pouco tempo minha mãe, meu pai, minha irmã e minha sobrinha estavam comigo na escola. Na presença deles eu desabei e fiquei novamente aos prantos quase beirando a histeria. Meu filho estava sendo levado para o IML e seguimos juntos para aquele tormento que seria minha noite!



Meu pai a meu pedido seguiu para a clínica para buscar minha esposa, enquanto eu cuidava do funeral e esperava pela liberação do corpo.


Depois de uma hora minha esposa chegou amparada pelo meu pai, minha sogra estava junto com ela chorando muito, fui em sua direção e nos abraçamos longamente.

Minha esposa insistiu em ver o nosso filho, expliquei com pesar as circunstâncias em que ele foi morto, que seria uma cena muito forte para ela, mas não adiantou, ela era mãe e nada nesse mundo a impediria.

Entrei com ela no necrotério, uma sala extremamente gelada que me deixou todo arrepiado, ela era ampla e tinha várias mesas com cadáveres cobertos por plásticos, o legista nos apontou a direção do corpo de Adam, enquanto seguia adiante nos olhou como perguntando se estávamos prontos para ver o corpo. Assenti com a cabeça. Ele retirou o plástico, minha mulher ao ver nosso filho gritou, se debateu, morri pela sexta vez naquela dia. Eu a abracei, o legista saiu para nos deixar a sós naquele momento de dor.

Minha esposa acarinhava a cabeça de Adam e o beijava, nem vi quando minha família e a mãe dela entrou, todos em lamentação em torno daquele pequeno “anjo” tirado de nós abruptamente.


Aquele dia ninguém dormiu, o funeral foi perto da minha antiga casa, os amigos chegavam, os conhecidos, todos com expressão sombria, de pesar! Pessoas que um dia comemoraram conosco o aniversário de Adam, hoje lamentavam sobre o pequeno caixão branco.


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Concedei-nos Senhor, Serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguirmos umas das outras.
Reihold Niebuhr



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quarta-feira, 19 de março de 2014

Capítulo VII - Paulo de Tarso é crucificado, morto e seu coração arrancado.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Mateus 5:4
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Esse é o momento, não, esse é o pior dia da minha existência, quando eu senti que morri sete vezes. É muito difícil até hoje falar sobre isso, vou lhes contar aos poucos…(pausa, meus olhos começam a ficar marejados).

Eu estava trabalhando, quando um colega entrou com o rosto lívido no corredor onde eu estava atendendo a uma senhora, eu trabalhava em uma instituição bancária na abertura de contas e solicitação de empréstimos. Esse meu colega fez sinal para o gerente e veio na minha direção, por um momento ele parou ao lado do gerente e falou algo aos seus ouvidos, a expressão do gerente se tornou sombria e vieram na minha direção.

- Paulo vamos ao escritório!É urgente! me disse angustiado o gerente.

Entrando no escritório indaguei o gerente a respeito daquela situação e ele me disse:

- Infelizmente aconteceu algo na escola do seu filho, temos que ir para lá! vamos lhe acompanhar, Paulo! Os olhos do gerente, um homem gordo, na casa dos sessenta anos ficaram cheios d’agua.

- Aconteceu alguma coisa ao meu filho? Respondam! gritei em franco desespero aos meus interlocutores.

Peguei minhas chaves e fui em direção ao estacionamento, com o telefone na mão, ia ligar para a escola ou minha esposa, não lembro mais…

Jorge segurou minha mão tomando as chaves e o telefone, o gerente segurou meu braço e me levou para o lado do carona e disse:

- Jorge vai dirigir, nos vamos lhe contar o que aconteceu, você precisa ser forte Paulo! O gerente estava com o rosto vermelho como tomate.

Essas palavras, “tem que ser forte”, significa algo ruim, eu sempre soube, pelos filmes, em que as pessoas usam esse clichê, senti uma tontura, minhas pernas fraquejaram, me colocaram no banco de trás do meu carro, o gerente ao meu lado, Jorge ao volante, saiu em disparada pelas ruas.

O gerente engoliu em seco e me disse:

- Paulo sinto muito, não sei como falar isso, sem meu coração doer… Seu filho.. seu filho Adam...morreu.

Nesse momento EU morri pela primeira vez naquele dia, acho que nunca senti uma dor tão profunda como ao ouvir aquelas palavras. Não consegui pronunciar nenhuma palavra. Acho que entrei como dizem em choque!

Ao chegar na escola do meu filho, vi uma grande movimentação de pessoas, carros de polícia, ambulâncias, voltei a realidade retirado de meu estupor. Saí do carro correndo e entrei na escola gritando: Onde está meu filho! Onde está meu filho! Fui contido por policiais, que logo perceberam de quem se tratava, suas faces ganharam um ar triste e melancólico.

Um dos policiais veio em minha direção, deveria ser o responsável.

- Senhor Paulo? Eu me chamo Rodrigues e estou a frente dessa terrível situação.

- O que houve? quero ver meu filho, ele está bem? Eu disse, negando o fato de que já sabia que ele estava morto!

-Senhor, sinto em lhe dizer que seu filho foi encontrado na parte de trás da escola em um depósito com a garganta cortada, ele foi…

Nessa hora eu morri pela segunda vez, meu filho Adam de quatros anos, morto com a garganta cortada, não aguentei e tudo ficou escuro, caí no chão!

Alguns minutos depois, recobrei a consciência, estava em uma das ambulâncias e o detetive Rodrigues ao meu lado, junto ao Gerente Sr. Amorim e meu colega Jorge.

- Senhor, peço perdão por ter sido tão direto, sei o quanto é difícil esse momento, a notícia é aterradora.

- Quero ver meu filho! -Uma fúria tomou conta de mim -

- Acalme-se senhor, iremos levá-lo, mas tenha calma, a cena não é indicada, o senhor tem certeza que quer ver agora? - Disse o detetive -

- Levem me até ele. - Lágrimas descendo pelo meu rosto.


É difícil respirar, mesmo após tantos anos ao lembrar daquela cena aterradora, fui acompanhado pelo detetive e os amigos do banco, o depósito era um lugar pequeno, mais como um almoxarifado, algo lúgubre, na entrada estava apenas dois policiais que ao nos verem se afastaram, parei em frente a porta e respirei duas vezes, Jorge e o Sr. Amorim seguraram meus braços, pois sabiam que a visão não seria das melhores e acertaram. Assim que entrei me deparei com dois homens da perícia fotografando um homem que estava caído perto da parede e um rio de sangue o rodeava, na sua mão direita estava uma faca, a qual ele usou para se matar.

O detetive olhou para mim e disse:

-Senhor esse é o assassino do seu filho, o miserável se matou, após cometer esse ato terrível.

Eu instintivamente percorri com os olhos o depósito e vi mais a frente algumas velas com suas luzes bruxuleantes, fui em sua direção e vi um pequeno altar onde havia uma imagem de Jesus Cristo pregado na cruz, ela deveria ter uns dois metros e ficava presa a parede, em uma altura que lhe obrigava a olhar para cima, com a clara intenção de nos mostrar que somos pequenos e inferiores diante do Filho de deus. Olhei para o chão, onde meu filho jazia coberto por um lençol e um lago de sangue se formava ao seu redor, próximo a ele uma bíblia aberta no livro de Gênesis, no capítulo vinte e dois, estava marcada toda a passagem em que deus prova a Abrãao, pedindo que sacrifique seu único filho Isaque. Abrãao seguiu as ordens de seu deus e, quase matou seu filho, sendo que na hora um anjo desceu  impedindo, dizendo que por ele obedecer, entregando seu único filho, Ele(deus), o abençoaria fazendo de sua descendência muito numerosa.
Aquilo era muito bizarro para minha mente, então me ajoelhei e por um momento perdi as forças ao esticar a minha mão em direção ao lençol, mas mesmo assim o fiz, ao levantar aquele lençol e ver o meu filho ensopado em seu próprio sangue, com a garganta cortada, eu Paulo de Tarso me vi crucificado, meu coração foi arrancado de meu peito, então morri pela terceira vez naquele dia.

Nunca chorei como naquele momento, acariciei os cabelos de Adam, o beijei e chorei, como uma criança com fome e recém nascida, precisando de proteção, mas quem me protegeria? Quem seria meu escudo? Pensei em minha mãe, sim minha mãe, pensei na minha esposa…outra dor percorreu o meu corpo, só em pensar em ter de contar a ela, morri pela quarta vez.


Aos prantos disse a mim mesmo: Tens de ser forte! Sua dor não será nada perto da sua esposa! Controle-se!

Então me levantei e tapei meu único filho com o lençol. Perguntei o que aconteceu ao detetive, por que aquele doente mental matou meu filhinho de quatro anos, o que ele fez? Eu precisava de uma explicação, tornar aquilo real, como alguém pode fazer isso?

- Senhor Paulo, encontramos ao lado do corpo do assassino uma carta, que dizia o seguinte:

Eu serei chamado de assassino, aos seus olhos sim, mas aos olhos do bondoso Deus, serei chamado de o servo fiel. Ele veio em sonho, dizendo que teria grandes planos para mim, um lugar ao seu lado no paraíso, então perguntei, Senhor meu Deus o que tenho que fazer para se merecedor de tais bençãos? O Senho Todo Poderoso me respondeu: Você deve sacrificar sua vida para vir até a mim, mas para poder passar nos portões do paraíso, você deve fazer um sacrifício de uma alma pura, inocente, a sua foi corrompida pelo mundo. Senhor onde acharei tal alma? Você terá um sinal ao seu devido tempo! Então sempre procurei esse sinal, sempre seguindo tudo que a bíblia me dizia para fazer, então alguns dias atrás, enquanto eu carregava algumas caixas aqui para o depósito eu ouvi as professoras brincando com o menino Adam, fiquei atônito quando disseram, que lindo nome você tem Adam, ao que o menino respondeu, meu pai me disse que Adam significa Adão, o primeiro homem feito por Deus, eu sou especial e como sou o primeiro filho, papai e mamãe colocaram esse nome. Ao ouvir isso compreendi o sinal dado por Deus, aquele menino era o sacrifício, o cordeiro que me levaria ao paraíso, apagando todos os meus pecados com o seu sangue. Ele é um anjo agora na companhia de Deus, estamos juntos aqui no céu.

Peço perdão a minha irmã por não poder levá-la, eu queria sacrificá-la para ir conosco, mas não queria desobedecer as ordens do Senhor!

Já doei previamente meus pertences a caridade, peço que em meu túmulo coloque a inscrição ungido do Senhor!

Fiquem em paz irmãos e irmãs, o dia do julgamento chegará em breve para todos vocês, se arrependam enquanto é tempo!

Fiquem com Deus! Para sempre servo do Senhor Pedro Tiago de Alcântara.”


Aquilo era demais para a minha cabeça, que loucura esse cara fez, sacrificou meu filho!

Quis sair o mais rápido que pude daquele lugar, falei com o detetive que iria até o trabalho da minha esposa para dar a notícia. Como eu faria isso eu não sei.


Tenho que agradecer imensamente aos amigos Sr. Amorim e Jorge por não saírem do meu lado nesse dia fatídico.



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O mal que os homens fazem vive para sempre!


Círculo de fogo,
meu batismo de alegria parece terminar
A sétima ovelha morta,
o livro da vida está aberto diante de mim


E rezarei por você
E algum dia talvez eu retorne
Não chore por mim
No além foi onde aprendi
The Evil That Men Do - Iron Maiden

       

domingo, 16 de março de 2014

Capítulo VI: A União e a felicidade


Como é feliz a alma humana!
Não escravizada por estúpido controle
Livre para sonhar, vagar e brincar
Jogar a culpa dos dias passados
Caminhando na praia nublada
Observo as ondas vindo agitadas
Através do véu do luar esmorecido
Minha sombra estica a mão...

E então nós nos deitamos
Nos deitamos no mesmo túmulo
Nosso dia de Casamento Químico
E então nós nos deitamos
Nos deitamos no mesmo túmulo
Nosso dia de Casamento Químico

The Chemical Wedding
Bruce Dickinson



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Dois anos após nos conhecermos, eu pedi a mão de Maria à sua mãe, e conversamos como seria a cerimônia, sendo que não era meu desejo que fosse feita na igreja. Combinamos que faríamos algo simples no terreno de nossa casa e convidamos um amigo que era pastor para celebrar a união, pois a mãe dela e a própria Maria achava essencial a benção divina, não queria que fosse somente a assinatura dos papéis do cartório.


Estavam presentes familiares e amigos de ambas as partes e ouvimos a célebre frase: “ O que Deus uniu, o homem não separe”, e pela segunda vez em minha vida levei um beliscão pela cara feia que fiz ao ouvir as palavras do pastor(risos).



Dois anos se passaram, eu me formei e comecei a dar aulas duas vezes por semana em uma escola particular, minha esposa passou em um concurso, nossa vida estava perfeita, digo quase perfeita, até que veio a notícia espetacular: Eu seria PAI!


Engraçado que as coisas mudam, você passa a dar mais atenção as coisas, como a cor do quarto do bebê, roupinhas, o nome etc. Foram meses maravilhosos, todo final de semana, íamos comprar alguma coisa para o nosso filho.


Ainda lembro quando vi pela primeira vez, a imagem daquele pequeno ser no monitor, lembro da emoção ao saber que seria um menino. Minha esposa sorria toda vez que eu mencionava que faria do nosso filho um jogador de futebol, uma estrela do rock etc.


Aos trinta e cinco anos eu era pai de um lindo menino, vivíamos um sonho, eu olhava para minha esposa e meu filho, podia ver e sentir que aquilo era um tesouro inimaginável, não há dinheiro no mundo que compre isso.


Não queria perder o desenvolvimento do Adam, então pedi a minha esposa que gravasse alguns vídeos dele, pois fica fora boa parte do dia trabalhando. A noite sentava com ele no meu colo, e assistia com minha esposa o que ele fez durante o dia.


Fiquei bobo feito criança, quando ele deu os primeiros passos, quando começou a falar suas primeiras palavras, chorei quando me chamou de pai. Os dias eram como sonhos, de tão perfeitos que eram, cada descoberta do Adam, as perguntas desconcertantes que ele me fazia, sua inteligência ao lidar com os aparelhos que para mim parecia um bicho de sete cabeças.


Adam estava radiante quando o levei ao estádio de futebol pela primeira vez, era uma coisa que sempre sonhei em fazer, pois não tive essa oportunidade com o meu pai. Esse momento de pai e filho, torcendo pelo seu time de coração, a surpresa de ouvir seu filho gritar “burro”, para o jogador após ele errar um passe fácil, me fazia ver o quanto certas coisas na vida perdem importância diante disso.


Não sei se isso era bom ou ruim(risos), mas o Adam a medida que crescia parecia uma cópia fiel minha, as vezes eu me policiava para lhe dar o melhor exemplo possível, sentava com ele, e lhe explicava como uma pessoa boa deveria tratar as outras, independente de sua classe social, cor, religião, que deveria respeitar as pessoas, mesmo que as vezes elas nos tratassem mal, então aquele pequeno me surpreendia mais uma vez dizendo: Não se preocupe pai, vou fazer exatamente como o senhor faz, quero ser como você quando crescer, só que mais bonito!(risos) O danado ainda tinha uma coisa que eu nunca tive: Senso de humor!


Depois que meu filho Adam( que significa Adão, o primeiro homem, feito da terra vermelha) cresceu um pouco, começamos a viajar em família pelo brasil e posteriormente pelo mundo. Planejamos cada viagem com esmero, juntando aqui e alí, comprando os pacotes de viagem e programando nossas férias com antecedência, foram bons anos aqueles, simplesmente a felicidade estava em nossas vidas, eu não pensava mais na religião, quando alguma notícia de escândalo por desvio de dinheiro nas igrejas, padres cometendo pedofilia, isso não me alegrava como antes, não fazia mais nenhum comentário e nem discutia com os adeptos de qualquer religião. Eu ignorava os deuses, tinha alcançado tudo que eu queria, era feliz, tinha a vida perfeita.




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-- Boa tarde Paulo!


-- Oi Abner! Que felicidade revê-lo meu amigo! Senta aqui para conversarmos, quero lhe contar sobre uma novidade!


-- Paulo, antes quero lhe dizer que estarei ao seu lado em todos os momentos, quando precisar não hesite em me chamar, estarei pronto para lhe ajudar no que eu puder!


-- Não entendi! Você tem cada uma… Olha aqui as fotos da nossa última viagem, olha o Adam com a carinha suja de chocolate!(risos)



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domingo, 9 de março de 2014

O Filho Pródigo - Capítulo V: Maria Madalena



Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

I Coríntios Capítulo 13, Versículos 1-2-13






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O nome da mulher por quem me apaixonei era uma afronta as minha crenças, seu lindo nome era Maria, Maria Madalena, até hoje acho engraçado como nos conhecemos: Em frente a uma igreja!



Essa igreja ficava em uma praça no centro da cidade onde eu morava. Era final de semana, não trabalhava, fui as compras, quando passei em frente a igreja, vi uma barraca que vendia salgados, sucos e doces. Estava com fome e os salgados pareciam muito apetitosos. Eram duas mulheres que atendiam nessa barraca, uma notadamente estava na casa dos cinquenta anos e a outra era uma linda jovem que não devia ter mais de 25 anos, cabelos compridos pretos, pele branca, e um sorriso que enche meu coração de alegria até hoje depois de tantos anos.



Sentei na escadaria da igreja, conversando com a mulher mais velha, que vim saber ser sua mãe, uma evangélica fervorosa, mulher de fibra que nunca fugiu ao trabalho e criou sua única filha sozinha trabalhando por conta própria desde que seu marido havia partido desta para uma melhor, segundo ela.



A jovem era tímida, sempre que me olhava sorria, e meu coração batia mais rápido. Desde então, eu voltava todo fim de semana para lanchar naquela praça. Começamos a conversar bastante e tomei a liberdade de convidá-la para sair, pedindo a permissão da mãe dela, é claro, o que deixou boa impressão na minha futura sogra.



Em um domingo ensolarado fomos passear em um parque que na parte mais alta, tinha um velho forte, que a muitos séculos atrás serviu de fortaleza para defender nosso território contra os invasores europeus. Uma vista espetacular do alto de seus setecentos metros, mas nada era mais belo que o olhar e o sorriso de Maria. Conversamos sobre muitas coisas e fiquei sabendo para minha surpresa que ela era “pagã”, ou seja, não tinha sido batizada no cristianismo, que adorável, finalmente uma mulher perfeita(risos). Maria Madalena acreditava em um Deus, ela não acreditava nas religiões, dizia que elas afastavam o homem do ser divino com seus dogmas e doutrinas falsas, Maria era por se dizer Agnóstica, uma pessoa que acredita e também não acredita na existência de deus, mas precisamente esse deus que é propalado aos quatro ventos, ela acreditava que o ser divino era mais do que podemos supor, algo além de nossa compreensão, imensurável, inefável e o ser humano caiu em desgraça por querer entender e acabou criando suposições errôneas que causou todo o caos que conhecemos.



Suas palavras soavam como música aos meus ouvidos, tudo que ela falava eu tomava como dito por um anjo, se existissem é claro.



Aquele dia foi mágico, nosso primeiro beijo foi meio atrapalhado, nenhum dos dois sabendo bem o que fazia, mas nunca será esquecido enquanto meu coração bater.



Em pouco tempo, fui até sua mãe e pedi para namorar Maria em casa, podem até dizer que isso é antiquado, mas fiz isso com todas as minhas namoradas, e até hoje acho correto.



Por incentivo meu, ela começou a estudar e logo entrou na faculdade de filosofia. Comecei a fazer História das religiões a distância, enquanto estava terminando a minha faculdade de História presencial. Eu tinha uma pequena casa, que havia financiado com meu novo emprego, e comecei a pensar seriamente em me casar com aquela maravilhosa mulher.



A cada dia eu pensava que minha vida tinha chego ao ápice, um bom emprego, dinheiro que dava para fazer muitas coisas que sonhava, uma namorada inteligente que sorria das minhas piadas infames a respeito das religiões.



As coisas começam a se encaixar, e quando você está feliz, questões filosóficas, como de onde eu vim e para onde vou, não tem a menor importância.



Procurei respeitar as crenças de minha sogra, assim como fazia com as da minha mãe. Fui algumas vezes a igreja, a convite da minha sogra, não me importava de ser abençoado por ela e pelo pastor. As conversas eram agradáveis, e a cada dia se distanciava desse tema religioso, o que era perfeito para mim. Aos poucos, me senti parte daquela família, que comecei a pensar em uma coisa…



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-- Pai, por quê o interesse no Paulo?

-- Sempre tive apreço por esse rapaz, seus caminhos tem tantas ramificações, quero saber o que ele será capaz de fazer…

-- Infelizmente nada de bom, o senhor mais do que ninguém o sabe….

-- Não se esqueça, meu filho, que todos temos o livre arbítrio, o que você vê agora, não passa de uma cortina de fumaça, um sonho, por assim dizer. O futuro dele pode parecer tenebroso, mas ele pode mudá-lo a qualquer momento, não é essa a beleza da vida?

-- Tenho muito que aprender com o senhor pai. Vou falar com algumas pessoas, até mais tarde.

-- Até mais Henri.


Abner caminha pela praia, vendo seu filho se afastar em direção ao calçadão, rumo ao encontro de jovens delinquentes. Abner sente um tremendo orgulho quando vê o quanto Henri é dedicado ao trabalho social. Ele sente em seu íntimo que fez um bom trabalho como pai, e que suas obras estará em boas mãos.



Abner fica sorrindo, sua atenção é desperta, por uma voz conhecida chamando o seu nome, ele se vira e vislumbra Paulo sentado no velho banco que fica de frente para o mar. Abner acena para Paulo e caminha em sua direção mostrando satisfação em vê-lo.



-- Meu querido Paulo, que bom revê-lo.


-- Digo o mesmo Abner, senta aqui, quero lhe contar muita coisa…


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segunda-feira, 3 de março de 2014

O Filho Pródigo - Capítulo IV: Transformações na vida de Paulo de Tarso!


Nunca fui bom em relacionamentos, deve ser por isso que me casei bem tarde. Lembro que morei alguns anos com uma moça, foi um aprendizado, foi uma experiência que me transformou, pois até então, eu tive alguns namoros, nada sério. Eu sou um cara que as pessoas chamam de chato, não gosto de sair para baladas, bebedeiras, gosto de coisas específicas, meu círculo de amizade(não chega a ser um circulo de tão pequeno que é) não é extenso, gosto de ficar sozinho, adoro isso, ficar em casa, ver um filme, ouvir música, ler um livro, mas chega uma hora que você sente falta de estar com alguém, dividir as coisas, então conheci essa moça pela internet, outra grande paixão na minha vida(risos), começamos a namorar em pouco tempo, devo dizer que apesar de não pertencer a nenhuma religião, sempre mantive a conduta que se espera de um, esse negócio de “ficar” e não se apegar, daqui a cinco minutos estar com outra, nunca foi a minha “praia”, talvez por isso pela falta de experiência com essa mentalidade moderna, eu tenha me ferido em todos os relacionamentos que estive envolvido.




Foi um aprendizado morar junto ou como dizem: “Juntado, casado é”. Eu vi quanta responsabilidade é manter uma casa, morar de aluguel, conviver com as qualidades e defeitos do outro e os seus próprios defeitos que são exacerbados pela convivência. Mas aos poucos fui sucumbindo a pressão, a falta de experiência pesou e muito.


Comecei a ver que a vida que eu tinha não era o que eu realmente queria. Tinha trinta anos, morava com uma pessoa boa, mas que eu não amava( até hoje me pergunto se eu sei o que é amar ou se eu amei alguém que não tenha sido eu mesmo), morava em uma casa com um aluguel absurdo, não tinha dinheiro para nada, então fiquei com raiva de mim mesmo, raiva por ter sido tão pequeno, tão simplório, por não ter estudado, não ter corrido atrás de um futuro melhor.


O primeiro passo era usar o que minha preguiça não costumava deixar: Inteligência!


Comecei a estudar e entrei na universidade com uma bolsa governamental, comecei a fazer História, que sempre gostei.


Um dia cheguei a casa e comuniquei que estava deixando o lar, que iria fazer meus sonhos se tornarem realidade. Hoje até sorrio com essas lembranças, pois parecia uma rebeldia adolescente de um homem de trinta anos. Deixei aquela casa e fui morar em uma casa menor próximo ao centro da cidade, pedi demissão e fui trabalhar em outra empresa com um salário melhor, sendo que odiava o que fazia também.


Comecei a me envolver com mulheres simplesmente por prazer, não deixava passar da necessidade para algo mais, dispensava e ia para outra, comecei a usar de mentiras, coisa que sempre abominei para alcançar as coisas que queria.


Os estudos deram frutos, fiz alguns concursos públicos e passei em um deles, fiquei feliz e orgulhoso do que consegui, o trabalho não era lá essas coisas, mas o dinheiro, ah o dinheiro era mais e muito mais, do que eu já tivera. Conheci uma pessoa que me fez querer ser um homem melhor, então comecei a namorar, voltei a ser um homem íntegro, fiel aos meus preceitos.


Aprender com os erros, para não voltar a tropeçar, esse era o mantra que eu repetia dia e noite. Não a um dia que não me arrependa de certas atitudes que tomei, mas as vezes a vida parece fazer sentido em meio ao caos. Magoar as pessoas, parecia o único dom que eu tinha, estava disposto a contornar isso, prometi a mim mesmo, que não deixaria acontecer novamente.


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-- Paulo como vai? - Abner abre um largo sorriso ao cumprimentar Paulo.


-- Olá! Quanto tempo Abner! Estou bem e você como está?


-- Melhor agora que posso novamente conversar com meu bom amigo! Te chamei algumas vezes para conversar, mas você não me ouviu…


-- Sério? Juro que não o vi. - Paulo ficou pensativo, tentando lembrar onde e quando o Abner possa ter encontrado com ele-


-- Paulo soube que você agora tem um bom emprego, parabéns!


-- Obrigado Abner! Venha qualquer dia jantar em minha casa, quero lhe apresentar alguém especial…


-- Com certeza irei! Agora tenho que ir, espero de coração que não fiquemos muito tempo sem nos falar, grande abraço Paulo!- Abner se afastou e começou a andar com suas mãos no bolso do casaco, pois a beira mar ventava, mas era algo agradável.


Paulo observou Abner ir em direção a praia e retirar seus sapatos e caminhar na areia molhada e brilhante pela luz do entardecer!


-- Sujeito interessante! - Disse Paulo rindo do jeito desengonçado de Abner caminha na areia fofa.


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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Capítulo III: Minha peregrinação pelas igrejas começa!

Os mórmons

Ainda lembro do tempo que cheguei acreditar nos deuses, sendo mais específico, o deus judaico/cristão: Javé, Jeová ou simplesmente conhecido como Deus, nome próprio, que nunca vou concordar, por ser tratar obviamente de um substantivo abstrato.



Minha mãe que hoje é adepta do umbandismo, frequentava na época uma igreja digamos diferente, que anos mais tarde fui saber que se chamava igreja dos Mórmons, sendo mais justo, o nome certo é: Igreja de Jesus Cristo Dos Santos dos Últimos Dias.

Pesquisando eu fiquei sabendo que um tal de Joseph Smith Jr, em 1820, em dúvida sobre qual igreja seria verdadeira, orou ao senhor pedindo sabedoria, então um pilar de luz veio até ele e dois seres pairavam acima de sua cabeça, um deles disse:

- Este é meu filho amado! Ouve-o! ( Era deus em pessoa ha ha ha, desculpem)

O outro ser falou:

- Todas as crenças(todas) do mundo eram falsas, e ele(Joseph) deveria restaurar a Igreja de Cristo(O ser era Cristo, he he) como era antes, com doze apóstolos e um profeta. - Quem deveria ser o profeta? Adivinhem?

Então esse homem em vez de ser carregado para o sanatório mais próximo, fundou essa igreja.

Hoje fico olhando aqueles americanos que vem para o brasil como missionários, brancos que nem papel e por vezes vermelhos que nem camarão, castigados por esse sol dos diabos(piada infame), fico a pensar o que mamãe tinha naquela cabecinha para se envolver com esse tipo de gente. A resposta é a mesma para todos que se envolvem com qualquer tipo de religião ou culto: Carência!

Assembléia de Deus

Minhas lembranças agora me levam até a Assembléia de deus, minha mãe frequentou alguns anos essa igreja, lembro de participar do coral das crianças(risos), e das gritarias que esse povo faz: GLÓRIA A DEUS, ALELUIAAAAA!

Me lembro de como essa igreja tinha velhinhas, por ser conservadora, pelo menos na época, acho que por isso mamãe não ficou.

Eu nunca entendi bem o que era deus e jesus, ou quando ia na igreja católica e via aquelas imagens, muitas imagens belas, o altar etc Na Assembléia não tinha imagens, ficava sem entender, me falavam que adorar imagens era coisa do diabo, mas se era igreja como poderia ser?

Fui crescendo, minha mãe se afastou da igreja e minha avó me levava a igreja católica e a procissões, ela era devota de Nossa Senhora de Aparecida, uma santa negrinha que acharam no rio, depois fui descobrir que era a mãe de jesus! Perguntei a vovó na Basílica de Nossa Senhora em Aparecida do Norte: Vovó a mãe de jesus era preta? Mas ele não é branco de olhos azuis? Recebi um beliscão que dói até hoje(risos).

Testemunhas de Jeová

Na adolescência minha avó decidiu que um jovem rapaz não deveria ficar solto no mundo, deveria andar no caminho de deus, ela ao que me parece havia notado minha falta de interesse pelas coisas divinas e olhando para minha mãe, ela via a imagem da luxúria e do pecado(mamãe frequentava os centros de religiões afro, ao qual minha adorada avó chamava de casa do diabo, centro de macumba etc), me levou até a casa de uma tia que era Testemunha de Jeová, na verdade todos na família da minha tia eram testemunhas, inclusive fiquei sabendo que em sua mocidade, minha avó também o fora, mas devido a um casamento arranjado por seus pais com um homem de fora da congregação, ela foi afastada e os irmão, segundo uma regra idiota deles, não deveriam falar com ela.

Depois de muita conversa e apertos de minha bochecha, minha tia ficou muito feliz que eu me aproximasse de Jeová, não sabia quem era, mas via felicidade nos rostos de todos. Então meu tio Moisés( sim o profeta), veio acompanhado de outro tio por parte de avó, Abraão(patriarca da nação israelita), me levaram ao Salão do Reino das Testemunhas de Jeová que ficava próximo a minha casa e acertaram com um ancião para que alguém me desse estudos a respeito da bíblia e suas “maravilhosas” promessas.

Eu deveria ter treze anos nessa época, não me lembro ao certo, não poderia dizer que estava contente que aos sábados a tarde eu teria que passar duas horas estudando a bíblia e meus colegas jogando futebol no campo próximo de casa. Nunca parei para pensar se realmente eu acreditava no deus cristão, em Jesus etc. A partir daquele momento eu estava lendo a bíblia e aprendendo de acordo com o que queriam me ensinar, as coisas maravilhosas que o servo fiel receberia no vindouro mundo pós julgamento divino. Coitado do Senhor que ministrava os estudos, eu via que ele ficava desconcertado com tantas perguntas que eu fazia. Um dia ele me falou algo que carrego até hoje, tenho certeza que foi a única coisa verdadeira que proferiu a respeito da religião: “Se for com muita sede ao pote, fazendo muitos questionamentos e não deixando a “fé” fazer seu trabalho, você pode tropeçar na pedra da descrença e se afastar de deus”. Benditas palavras, eu questionei cada coisa que achava que sabia, cada coisa que me foi ensinada pelos meus pais e pela sociedade, cada resposta vaga que recebia, cada texto bíblico que lia, me deixava mais insatisfeito, mais curioso.

Aos domingos à noite tinha reunião no Salão do Reino, durante a semana, tínhamos uma revista chamada Sentinela que sempre tinha um tema relevante, um texto que expunha os problemas do mundo, as causas( que eram culpa do iníquo Satã), o que deveríamos fazer para entrar no caminho de Jeová e conseguir a salvação. Ao final desse texto, tinha um questionário que media o conhecimento adquirido, nos domingos essa revista era lida por um ancião, pelo membros e as perguntas e respostas eram dadas por quem queria se manifestar através de um microfone que ficava com uma “irmã”. No começo até gostei, porque estava “aprendendo” sobre a religião que dominava o nosso mundo e sobre as suas ramificações, mas crescia dentro de mim, a insatisfação quanto a esses planos divinos, o fato D’ele deixar coisas terríveis acontecer as pessoas, não achava correto que alguém que tinha tanto poder ficar inerte. Eu orava para ele em meu quarto pedindo sabedoria para conseguir entender, queria que ele me respondesse, mas nunca me respondeu, isso me deixava furioso, muito furioso.

Um dia, o ancião me disse que teria que viajar e que outra pessoa continuaria a ministrar os estudos na minha casa. Uma jovem simpática veio a minha casa e logo houve uma empatia grande entre nós, pelo fato de falarmos a mesma “língua”, meus estudos progrediram, mesmo eu não conseguindo acreditar nesse deus, sem ouvi-lo, sem ter fé.

Eu queria sair dessa comunidade, mas a minha amizade com a moça me prendia aos estudos, então um dia dois rapazes chegaram a minha casa, me informando que a partir daquele dia, os estudos seriam dados por eles, pelo fato de os anciões não acharem correto um rapaz e uma jovem moça estarem muito próximos. Fiquei furioso, não consegui entender o por que disso, então na outra semana, quando os rapazes vieram até a minha casa, falei que não queria mais fazer parte das Testemunhas de Jeová e que havia perdido o total interesse.

Após um tempo, o ancião que ministrava os estudos retornou e soube do meu afastamento e conseguiu em uma conversa me convencer a voltar, me fazendo acreditar que Satanás me tirou do caminho de Deus, por sentir-se ameaçado com o meu progresso( até parece), sabendo que eu poderia ser futuramente alguém que traria muitas “almas” ao Senhor. O meu ego me trouxe de volta aquele dias de estudo e as reuniões dessa congregação fundada por Charles Taze Russel. Quero deixar claro que até hoje simpatizo com a forma que eles levam a sério a bíblia e fazem muito esforço para evangelizar, sendo que não cobram dízimo e dão esses estudos gratuitamente, por vezes dando as publicações e bíblias. Gosto da neutralidade política deles, vivem de doações para manterem seus salões e atividades, não tem cargos que indiquem que são superiores aos outros, são simpáticos e por muitas vezes são perseguidos e humilhados injustamente por outras denominações cristãs. Hoje entendo melhor o posicionamento deles, até relevo o fato de não aceitarem transfusões sanguíneas, pois acham que é um preceito do livro que cultuam como sagrado, como podemos julgá-los? Se não fosse o fato da minha total descrença nos deuses, acho que estaria com eles até hoje.

Como havia narrado anteriormente, minha avó era afastada da comunidade, então o ancião sempre que ia ministrar os estudos e orar, pedia que minha avó se retirasse do recinto, pois as Testemunhas não se confraternizam com afastados( estranho ao meu ver, pois seria mais sensato querer essas pessoas de volta por conhecerem as doutrinas), minha avó era uma pessoa que não levava desaforo, ainda mais em sua própria casa, disse poucas e boas ao ancião e o expulsou de lá. Meus estudos passaram a ser dados na calçada e no Salão do Reino. Confesso que aproveitei esse fato para sair desse compromisso com deus, pois eu era jovem e tinha coisas que eu queria fazer e não podia, pelas regras da religião. Falei ao ancião que iria sair das Testemunhas de Jeová para não confrontar minha avó, ele falou que assim como Jesus e os apóstolos, um dia eu teria que deixá-los para seguir a deus, mas eu falei que não seria naquele dia e não tão cedo, eu era uma criança e não deixaria minha família por algo ou alguém que nunca vi ou respondeu as minhas orações.

Igreja Universal do Reino de Deus

Essa é talvez a mais conhecida igreja da atualidade aqui no brasil, desde minha adolescência já reparava em como ela tinha “franquias”, e cada vez mais grandiosas.

Aos quinze anos eu comecei a frequentá-la, pois um amigo que era membro me convidou, dizendo que sempre após as reuniões, o grupo jovem iria para uma quadra jogar futebol. Eu era louco por futebol, então comecei a frequentar, vi tantas diferenças com relação as Testemunhas de Jeová que no começo gostei. As pessoas iam vestidas de modos mais simples, não na “social” como era regra nas Testemunhas, tinha muita menina bonita( outro dos meus grandes interesses), mas com o tempo vi que nem tudo era belo.

Eles pediam, quase imploravam por dinheiro o tempo todo, as bençãos caiam sobre quem doasse mais e mais, vendiam de tudo: Óleo ungido, Flor abençoada etc.

Outra coisa que me incomodava bastante, era o fato de falarem em demônio o tempo todo, chamando, exorcizando os que caiam ao chão endemoniados.

Não demorou muito para que eu deixasse de frequentar a Igreja do Edir Macedo. Hoje eu vejo como a religião é uma fonte inesgotável de riquezas, presente em mais de 150 países, ele até mesmo tem um canal de televisão, isso é um bom negócio, claro que as custas da fé e ignorância das pessoas.

Ainda lembro que fui aos dezoito anos a catedral mundial da fé em Del Castilho, foi a última vez que fui a Universal.

Não servi ao exército, não queria na época, então disse que não poderia servir ao meu país, porque era Testemunha de Jeová. Sim, foi uma mentira, mas para alguma coisa a religião me serviu.

Enfim, eu tinha vinte e três anos, não frequentava nenhuma igreja, nenhuma religião na verdade, não acreditava em nenhuma divindade, morava sozinho, e trabalhava em uma loja como vendedor.

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Quando você souber que sua hora está chegando


Talvez então você comece a entender

Que a vida aqui embaixo é apenas uma estranha ilusão


Santificado seja o vosso nome!


* Iron Maiden *


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Capítulo II - O Santo Nome!

Paulo de Tarso, esse é o meu nome, significa “o que pediu por” ou “o que orou por”, que ironia da vida, um ateu com o nome do propagador do cristianismo. Esse nome me foi dado pela minha falecida avó que era católica fervorosa, uma pessoa de vida sofrida e simples que como muitas pessoas encontram alento , não sei como na religião.

 

Cresci sempre ouvindo: Que nome lindo! Odeio o meu nome, era o que eu tinha vontade de falar, e o pior era as pessoas que se achavam no “direito” de me dar uma aula histórica sobre quem foi Paulo.

Uma forma irônica de me dirigir aos cristãos quando começam a ralhar comigo por ser ateu e me chamar Paulo de Tarso: Amigos eu amo esse nome, pois ele perseguiu muitos cristãos chatos que nem vocês.

Porém, prestem atenção, os cristãos, assim como qualquer pessoa que vê sua crença questionada, sem argumentos, apelam para as maldições ou ameaças. Um crente me falou: Meu “amigo” lembre-se que Paulo ficou CEGO - ele enfatizou a palavra cego - e só voltou a enxergar após crer!

Sou ateu, mas me regozijo do meu conhecimento a respeito da falaciosa mitologia cristã e falei: Que eu saiba e está escrito na Bíblia, Paulo ficou cego não por ser descrente, mas pelo fato de ver o personagem Jesus brilhando como um lâmpada fluorescente, após três dias ele voltou a enxergar e começou a pregar.

Glória a deus, disse o crente, foi convertido em nome de Jesus.

- Ou ficaria cego, se não cresse? Zombei.

Como sempre, acabou em discussão e nem vou citar as pérolas que ouvi, depois de relatar que a religião deles é uma farsa que foi usada pelos Romanos para acalmar a região que se encontrava em conflito.

Infelizmente eu não aprendi quando me calar e sempre arrumava confusão com adeptos do cristianismo, por causa do meu nome, pensei em trocar, mas a dor de cabeça com relação a documentos seria tão grande, que deixei assim mesmo.

Ser ateu, para os cristãos, é atestado de que a pessoa está possuída pela demônio, mas o que eles ignoram, é que não cremos em nenhum deus, ou em nenhum demônio. Vivemos a vida, pautados pelos princípios morais que são inerentes ao seres humanos desde sempre. Algumas bestas(só penso nesse adjetivo), afirmam que todo princípio moral provém de seu livro sagrado, e que a humanidade seria um paraíso se todos se curvassem ao seu senhor Jesus. Só que eles esquecem ou se fazem de ignorantes, é que diversas culturas e religiões propalam a mesma coisa, como exemplo os muçulmanos, que desejam livrar o mundo dos hereges e que o mesmo ficará melhor sobre a proteção de Alá, meu bom Alá.

Uma coisa irritante, é os pais achando que se porem nomes bíblicos nos filhos, eles serão algo que preste… só dar uma passada no presídio mais próximo, que irão encontrar centenas de “apóstolos” não muito arrependidos.

Enfim, carrego esse nome as vezes com pesar, mas estou acostumado e gosto de pensar que sou um “Papa” do anti Cristo. (Risadas)

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Mas houve também entre o povo falsos profetas,


como entre vós haverá falsos mestres,

os quais introduzirão secretamente heresias destruidoras,


negando até o Senhor que os resgatou,


trazendo sobre si mesmos repentina destruição


2 Pedro 2:1








































terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Filho Pródigo -- Capítulo I: Pensamentos

Capítulo I: Pensamentos

Sete pecados mortais

Sete maneiras de vencer

Sete caminhos sagrados para o inferno

E a sua jornada começa

Sete declives

Sete malditas esperanças

Sete são seus fogos ardentes

Sete são seus desejos…

* - Moonchild - Iron Maiden -*

Mais uma linda tarde, o sol esta quase se pondo. Estou sentado no mesmo banco que por décadas tenho o prazer de observar a praia, o horizonte tingido com a cor alaranjada do sol poente. 



-- Olha se não é o meu amigo fiel!

-- Como está se sentindo hoje Paulo?

-- Muito bem na verdade!

-- Paulo não acha que deva abrir seu coração novamente? Você é jovem, melhor dizendo, tem um espírito jovem e nunca é tarde para recomeçar!

-- Não sei meu caro, ainda dói um pouco esse velho coração!

-- Pense no que te falei, você passou por muita coisa na sua vida e superou todas elas, com certeza se você permitir que alguém se aproxime além dessa barreira, a felicidade irá transformar sua dor! Paulo nos vemos quando quiser conversar, estarei sempre pronto a atender um amigo!

-- Obrigado e vá com Deus! (Risos)

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Como é difícil pensar que daqui a pouco estarei em um programa de televisão contando a história da minha vida! Lembrar cada detalhe, cada momento, dor, sofrimento, angústia…

Hoje ainda tenho um encontro com o Sandoval para definir as livrarias que estarei fazendo as sessões de autógrafos. Quando foi que minha vida começou a mudar? Não é fácil puxar rapidamente as lembranças quando se tem sessenta anos. Sinto falta da casa onde cresci, bons tempos. Uma casa simples, passamos dificuldades financeiras, mas foi onde fui feliz, sim, muitas lembranças felizes e poucas tristezas.

Agora minha mente e minhas lembranças me transportam para a época que as coisas começaram a mudar na minha vida, agora vejo com clareza, eu andando após sair do trabalho, com a cabeça longe perdida em pensamentos, as pessoas andando tão depressa e esbarrando em mim. Estou andando sem muita pressa, porque o caminho até a minha casa é muito longo, não tenho dinheiro para o ônibus, na verdade tenho, mas usei para comprar algumas coisas que me faltam em casa. Quarenta e cinco minutos depois e muito suado estou chegando… carros passam por mim, queria ter um… Pra que? Você não sabe dirigir. Verdade não sei dirigir…

Uma hora depois chego em casa, um pardieiro formado por um quarto, cozinha apertada, banheiro pequeno e só… Ah, as telhas de brasilite, minha casa está um “forno”, o sol castigou durante o dia e sem nenhuma janela ou porta aberta, isso aqui está um inferno de quente. Abro a porta e as janelas para amenizar o calor, vou tomar um banho, ia tomar, pois a água está quente, muito quente, seja do chuveiro ou das torneiras. Abro a geladeira, não tem quase nada, mas tem água, sim tem água que nem em uma maldita gaiola de periquito: Água e jiló!

Deito em uma cama de solteiro que ganhei da minha mãe, assisto um pouco de televisão antes de dormir, que calor, mas meus pensamentos voltam no tempo. Estou sozinho, sou sozinho mesmo com muitas pessoas ao meu redor. Meu melhor amigo… meus pensamentos, que me censuram a todo momento. Durmo.

Lembro agora como era irritante o barulho do maldito celular tocando as sete da manhã. O que faço? Banheiro, café, banheiro, roupas, carteira, casa da minha mãe, marmita e andar muito de novo até o trabalho. Que merda de vida as vezes pensava, mas tem gente que está na pior, deveria agradecer a… quem? Alguns diriam deus, não eu, tento me livrar dessa força de expressão que sempre me enojava.

Aqueles dias eu caminhava até o trabalho pensando em como cheguei ao ceticismo total quanto aos deuses e as pessoas.

Acho que levei tanto tempo quanto deveria levar, lembro que aos quatro anos minha mãe me levava a igreja, sim, a igreja( um sorriso zombeteiro passa em meus lábios), ha ha ha, quem diria o ateu convicto Paulo de Tarso já frequentou igrejas, muitas delas por sinal, tantas religiões quanto me lembro, todas proclamando um caminho através de seus deuses, seus livros sagrados, e nenhuma conseguiu me segurar ou adentrar o meu inquieto coração.

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Décadas atrás…

-- Paulo bom dia!

-- Bom dia! Você não me é estranho, de onde lhe conheço?

-- Só você mesmo Paulo!(Risos), você sempre esquece de mim! Te conheço desde menino, quantas vezes conversamos, me lembro quando você quebrou o braço ao cair da bicicleta…

-- Verdade, lembro desse dia, mas vagamente de você!

-- Faz um bom tempo que não conversamos! Está um homem agora, trabalhando, já está casado?

-- Não me casei! Desculpe perguntar, qual é o seu nome?

-- Ah, eu que peço desculpa, meu nome é Abner! Já me fez essa pergunta antes(risos), mas tudo bem! Paulo te vejo por aí… Foi muito bom te rever!

-- Também foi bom te rever(não lembro bem quando o vi), grande abraço!

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Disse o néscio no seu coração: Não há Deus.

Têm-se corrompido, abomináveis são as suas obras, não há ninguém que faça o bem.

Salmos 14:1

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